Clã dos Shev-la
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This entry was posted on sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
"Escutar um Shev’la chegando é como escutar sons no vácuo."
Nós não somos um clã muito grande. E nos orgulhamos do motivo que nos
levou quase à extinção. Mas não podemos permitir que a memória de nossos
ancestrais desapareça. E é por isso que temos tantos filhos – estamos
lutando para reconstruir nosso clã.
A história dos Shev’la começa logo depois dos primeiros humanos a se
integrarem na sociedade mandaloriana. Silenciosamente, abraçamos os
ideais e nos tornamos guardiões do conhecimento e das tradições. Mesmo
para os padrões naturalmente ortodoxos do nosso povo, somos uma família
tradicionalista. Mas não buscamos a atenção sobre nós. Presenciamos cada
momento histórico, auxiliamos cada mandalor, reunimos cada fragmento
possível da memória taung. Nos tornamos exímios na fabricação de
armaduras e armas brancas pelos métodos mais arcaicos, e carregamos esse
conhecimento conosco para os tempos atuais. Fomos conselheiros,
protetores, sempre silenciosamente contribuindo para o futuro
mandaloriano. Não nos importamos em aparecer. Só queremos cumprir nosso
trabalho.
É por causa disso que ninguém sabe ao certo se foi pela nossa técnica de
combate em grupo ou se por nossa atitude social que o nome Shev’la foi
adotado. Os silenciosos permaneceram um clã pequeno mas eficaz, até o
momento que foi nossa glória e nossa perdição.
Nunca tivemos muitos parentes que não fossem guerreiros em tempo
integral. Nossa obcessão com a tradição faz com que desejemos o combate
com um ardor incomum, mesmo dentro de um povo naturalmente belicoso.
Então, quando o movimento dos True Mandalorians surgiu, nosso clã
inteiro se viu envolvido. Resgatar as tradições de que tínhamos sido
guardiões em tempos obscuros? É para isso que tínhamos vivido. E é por
isso que morremos, massacrados junto do resto dos guerreiros True
Mandalorians.
O massacre ao movimento foi o momento em que a família se viu prestes a
desaparecer. Com apenas três guerreiros carregando o nome do clã vivos,
mais uma vez os Shev’la silenciosamente se recolheram para as sombras.
E é assim que o povo hoje nos encontra. Somos poucos, e por isso mesmo,
nossa família tem tido filhos como a grama espalha sementes no vento.
Novamente, ensinamos às crianças as tradições, resgatamos o passado de
nosso povo e atiçamos o fogo em forjas artesanais para criar lâminas que
remontem ao passado mandaloriano. As vezes, somos até um pouco
indiferentes a tecnologia, porque conhecemos métodos do passado que
suprem nossas necessidades.
Nossa especialidade é o combate em grupo. Temos técnicas de ataque que
são conhecimento do clã a séculos. Nossos ataques surpresa são
avassaladores e nossa capacidade de passar desapercebidos é treinada
desde o berço. Não somos um clã de grandes feitos individuais, nosso
trabalho é lento e feito às escuras, lutando e vivendo guardando o
máximo possível o modo como os antigos faziam, antropólogos, contadores
de histórias, professores, não somos do tipo que aparece nos livros –
exceto por nosso pai, Quetzal Shev’la, que foi um Cuy’val’dar, lutou ao
lado de Jango Fett e fez grandes feitos, que contarei uma noite dessas
em volta da fogueira.
Clone Wars: Uma completa tragédia
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This entry was posted on segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Aristóteles dizia que os seres humanos apreciavam a tragédia porque esta exibia o sofrimento de alguém que não eles próprios. Muito melhor ver alguém enfrentando a fúria dos deuses, e se dando mal, do que eu. E por tragédia me refiro ao sentido original da palavra criado pelos gregos: uma forma de drama em que um indivíduo enfrenta forças muito acima das suas. Com poucas e dúbias exceções o final da história não pode ser outro que o triste fim do personagem principal. Por mais que se tente, o destino já está caprichosamente traçado.
Vejam o exemplo de Édipo. Édipo era um cara legal que por alguma razão caiu em desgraça perante os deuses e nasceu com aquela nuvenzinha cinza de chuva sobre a cabeça. Daí não teve jeito, matou o pai por engano, casou com a mãe sem saber e terminou os seus dias como um mendigo cego cujo único amparo era sua filha que teve um destino não muito melhor. Tudo porque os deuses assim o quiseram.
Clone Wars, a animação, é uma tragédia não no sentido de ser mal executado, mas sim no que diz respeito a sua história. Todos nós sabemos para onde os eventos retratados irão levar. Inicialmente concebida para ser uma série com mais atrativos para o público infantil, a animação foi ganhando em dramaticidade ao longo dos episódios. Basta ver logo no segundo capítulo da primeira temporada, quando Anakin e Ahsoka partem em resgate do Mestre Plo a deriva no espaço em uma cápsula. É aterrador assistir os dróides inimigos cantarolando uma alegre canção enquanto abrem uma nave para expelir o oxigênio, e os corpos inanimados das tropas clones flutuam tetricamente ao redor dos escombros. Isso é muito triste, porém pior ainda é o destino final de Anakin. Por mais que ele mantenha um bom relacionamento com sua díscipula, por mais que ele se empenhe em ser um bom líder dando exemplo de bravura, arrojo e determinação para suas tropas clones, será o mesmo Anakin que alguns anos depois adentrará o templo Jedi em Coruscant e executará sem pena pobres crianças indefesas. Será o mesmo Anakin que tentará estrangular sua esposa grávida e após usará capacete e manto amendrontando toda a galáxia. Obi-Wan terá que enfrentar em duelo mortal seu melhor amigo e abandoná-lo a beira da morte já que não terá estômago para dar o golpe de misericórdia. Incerto apenas o destino de Ahsoka. O que acontecerá a ela? Será morta por Anakin ou por seus amigos clones quando estes receberem a Ordem 66? Talvez permaneça congelada em carbonite a espera de dias melhores na Nova República, quem sabe?
Em uma virada improvável dos acontecimentos, e contrariando a fórmula tradicional da tragédia, Anakin arrependeu-se no último momento de sua vida e ganhou a redenção nos braços do próprio filho. Conseguiu um final feliz para sua amargurada existência juntando-se a Força e ganhando a companhia de seus antigos mestres para todo o sempre. Porque os deuses lhe garantiram um perdão tão grande após tantas crueldades cometidas? Simples, porque George Lucas assim o quis.


